VATICANO OCULTO
O Vaticano Secreto: Scavi, Jardins e Muito Mais
Para além dos museus, ficam as Scavi e o túmulo de São Pedro, as grutas papais, os Jardins do Vaticano e Castel Gandolfo — mais tranquilos e, na sua maioria, reservados com antecedência.
Check dates and availability ↗O Vaticano que a maioria dos visitantes nunca vê
Quase todos os que visitam o Vaticano percorrem o mesmo itinerário: museus, Capela Sistina, basílica e praça. No entanto, grande parte da cidade-estado fica fora desse caminho — por baixo da basílica, atrás dela e a quilómetros de distância — e alguns desses locais estão entre as experiências mais gratificantes e menos concorridas do Vaticano. A maioria exige planeamento: alguns só podem ser visitados com guia, outros têm de ser reservados com bastante antecedência através de serviços específicos, e um deles tem limite de idade e restrições rigorosas de número de visitantes. Este guia destina-se ao viajante que já viu os pontos turísticos principais, ou tenciona vê-los, e está disposto a organizar algo mais tranquilo e invulgar. Eis quatro sugestões: as escavações sob a Basílica de São Pedro, as grutas tumulares por cima delas, os Jardins do Vaticano e a residência papal de Castel Gandolfo, nas colinas fora de Roma.
Quatro partes menos conhecidas do Vaticano e como aceder a elas. Confirme as condições atuais com o Vaticano antes de planear qualquer visita.
| Local | O que é | Acesso |
|---|---|---|
| Grutas do Vaticano | Cripta com túmulos papais, logo abaixo do piso da basílica | Geralmente gratuito, sem reserva; entrada a partir da Basílica de São Pedro |
| Scavi (Necrópole) | Necrópole antiga e túmulo de São Pedro, um nível mais abaixo | Apenas através do Ufficio Scavi; reserva com muita antecedência, número limitado, visita guiada, limite de idade |
| Jardins do Vaticano | Jardins formais que ocupam mais de metade da cidade-estado | Visita guiada ou de elétrico apenas, organizada através dos museus |
| Castel Gandolfo | Palácio de verão papal e jardins nas Colinas Albanas | Propriedade turável nos arredores de Roma; acessível de comboio |
O Scavi: descida ao túmulo de São Pedro
A visita oculta mais extraordinária é o Scavi — as escavações sob a Basílica de São Pedro. Ao descer abaixo do piso, caminha-se por uma rua romana antiga de túmulos notavelmente preservada, uma necrópole pagã e paleocristã soterrada quando a primeira basílica foi construída sobre ela no século IV. O percurso conduz ao local, diretamente sob o altar-mor e o baldaquino de Bernini muito acima, que o Vaticano identifica como o túmulo do próprio São Pedro. A visita é reservada separadamente através do Ufficio Scavi, o Gabinete de Escavações, e é deliberadamente difícil de conseguir: o número de visitantes é rigorosamente limitado, os grupos são pequenos e acompanhados por guia, não é permitido fotografar e há geralmente uma idade mínima. Reserve com bastante antecedência relativamente à sua viagem. Para muitos visitantes, de qualquer fé, é o momento mais comovente no Vaticano precisamente por ser tão pequeno, silencioso e antigo.
As Grutas: os túmulos dos papas
Não confunda com as profundezas do Scavi: o nível logo abaixo do piso da basílica são as Grutas do Vaticano, a cripta que se estende sob a nave. Ali repousam os túmulos de muitos papas, antigos e modernos, juntamente com fragmentos da basílica original do século IV. O acesso é geralmente gratuito e não requer a reserva antecipada que o Scavi exige — entra-se e sai-se por pontos definidos no interior de São Pedro, e o percurso é de sentido único e silencioso. É um lugar sóbrio e comovente, um complemento natural à visita à basílica: o mesmo chão, um piso abaixo, onde a igreja sepulta os seus. Como os dois níveis são fáceis de confundir no planeamento, tenha bem presente a distinção — as Grutas são a cripta papal de fácil acesso; o Scavi é a escavação mais profunda e restrita que alcança a necrópole e o túmulo de Pedro.
Os Jardins do Vaticano: metade do país
Por detrás da basílica e dos museus, ocupando mais de metade do pequeno Estado-cidade, estendem-se os Jardins do Vaticano — uma vasta mancha verde de parterres formais, bosques, fontes e monumentos escondidos que a maioria dos visitantes nem imagina existir. São um local de retiro papal desde o Renascimento. Não é possível simplesmente entrar: os jardins são acessíveis apenas através de uma visita guiada oficial, geralmente em autocarro aberto ou miniautocarro, organizada pelos museus, com número de visitantes controlado. Do interior, tem-se vistas das traseiras da cúpula de São Pedro que ninguém que espera na praça alguma vez vê, e uma perceção do Vaticano como um pequeno Estado em pleno funcionamento, com o seu interior silencioso. Num dia romano quente e apinhado, o contraste entre as galerias lotadas e estes jardins quase desertos é surpreendente e bem-vindo.
Castel Gandolfo e as vilas papais de verão
Bem fora de Roma, nas Colinas Albanas acima do Lago Albano, fica Castel Gandolfo — durante séculos a residência de verão onde os papas escapavam ao calor da cidade. A propriedade é vasta, abrangendo o Palácio Apostólico e os extensos Jardins Barberini, e durante muito tempo esteve totalmente fechada ao público. Na década de 2010, grande parte foi aberta como museu e jardins que os visitantes podem percorrer, e o Papa Francisco, que optou por não a usar como retiro pessoal, abriu-a ainda mais. É um passeio de meio-dia invulgar a partir de Roma, acessível de comboio, combinando história papal com o verde fresco das colinas e o lago lá em baixo. Se procura uma experiência vaticana sem multidões e com muito ar puro, é aqui — e não em qualquer galeria — que a vai encontrar. Confirme os horários de abertura e as condições das visitas antes de ir.
Como organizar as partes de acesso mais difícil
A regra para tudo isto é: planeie com antecedência e dirija-se ao balcão certo. As Escavações (Scavi) em particular podem esgotar semanas ou mais antes, e têm de ser reservadas através do Gabinete de Escavações e não com um bilhete geral, por isso peça cedo e tenha prontos os dados e idades do seu grupo. Os Jardins e Castel Gandolfo organizam-se através dos canais próprios dos Museus do Vaticano, como visitas guiadas ou em grupo. As Grutas, pelo contrário, não requerem reserva alguma — basta incluí-las na sua visita à basílica. Como as regras de acesso, preços e horários dos locais restritos mudam e são definidos pelo Vaticano, confirme as condições atuais diretamente antes de planear um dia em torno de qualquer um deles. Nenhum destes é um local onde se chega e se entra, e é precisamente o pequeno esforço de os reservar que os mantém tão tranquilos.