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COLEÇÕES VATICANAS

Como as Coleções Vaticanas Foram Reunidas

As coleções do Vaticano foram reunidas por papas ao longo de cinco séculos — desde o pátio de estátuas de Júlio II ao saque de Napoleão e à moderna Pinacoteca.

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Não um museu, mas uma cidade deles

As pessoas dizem "o Museu do Vaticano" como se fosse uma instituição única; na realidade, são uma dúzia ou mais de coleções ligadas por um único percurso de visita. Foram reunidas ao longo de cinco séculos por papas que atuaram como colecionadores, mecenas e, por vezes, salvadores da antiguidade, e os museus ainda carregam os nomes dos seus fundadores — Pio-Clementino, Chiaramonti, Gregoriano Egizio. Compreender os museus como uma série de projetos papais separados, cosidos por arquitetura posterior, explica porque o percurso parece uma marcha por mundos diferentes: pátios de escultura clássica que dão lugar a galerias pintadas, depois salas egípcias, e depois arte religiosa moderna. Explica também as multidões irregulares. As coleções construídas diretamente sobre a artéria principal estão sobrelotadas; as que foram fundadas como museus laterais permanecem tranquilas ao lado. Um pouco de conhecimento sobre como tudo se juntou transforma uma marcha forçada numa história legível.

Júlio II e o pátio onde tudo começou

A história começa normalmente por volta de 1503 com Júlio II, o mesmo papa que encomendou o teto da Capela Sistina e os Quartos de Rafael. Ele instalou a sua coleção de estátuas antigas num pátio do palácio do Belvedere — a origem de todo o museu. Duas peças ancoraram-no. O Apolo Belvedere, um nu clássico sereno, tornou-se durante séculos uma referência da beleza masculina ideal. E em 1506, um agricultor que cavava no Esquilino desenterrou o Laocoonte, o grupo contorcido de um sacerdote troiano e dos seus filhos esmagados por serpentes; Júlio enviou Michelangelo, entre outros, para o inspecionar, comprou-o e colocou-o em exposição no espaço de um mês. Aquele pátio de antiguidades admiradas, estudado por todos os artistas que conseguiam chegar a Roma, é a semente da qual cresceu todo o Museu do Vaticano.

O século XVIII e o grande museu de escultura

A coleção assumiu a sua forma clássica mais grandiosa no final do século XVIII, quando dois papas sucessivos construíram o que ainda hoje é o núcleo do acervo de escultura antiga: o Museo Pio-Clementino, assim nomeado em homenagem a Clemente XIV, que o iniciou, e a Pio VI, que o expandiu consideravelmente. Era a época em que Roma constituía o final obrigatório do Grand Tour e em que a estatuária clássica era a arte mais prestigiada do mundo — e os papas alojaram os seus mármores em salas magníficas construídas de propósito: o pátio octogonal, a sala redonda inspirada no Panteão, a sala das Musas. Grande parte daquilo que o visitante moderno considera "a escultura do Vaticano" data a sua exposição deste momento. Foi também, deliberadamente, uma declaração: o papado a posicionar-se como guardião e herdeiro da civilização clássica, bem como da Igreja Cristã.

Napoleão, e a arte que partiu e regressou

O capítulo mais invulgar desta coleção ocorreu por volta de 1800. Ao abrigo do Tratado de Tolentino, em 1797, Napoleão despojou os Estados Pontifícios das suas obras-primas e levou-as para Paris — entre elas, o Laocoonte e o Apolo Belvedere — onde foram exibidas em triunfo e instaladas no Louvre. Durante quase duas décadas, as maiores antiguidades do Vaticano foram troféus de guerra franceses. Após a queda de Napoleão, o escultor Antonio Canova foi enviado a Paris como emissário do papa para defender o seu regresso e, com o apoio das potências no Congresso de Viena, em 1815, a maioria — embora não todas — regressou a casa. Este episódio reformulou a forma como a Europa pensava a arte saqueada e o património nacional. Vale a pena recordá-lo junto das vitrinas: várias das peças mais emblemáticas dos museus fizeram a viagem de ida e volta a Paris.

Pintura, Egito, Etrúria e os acréscimos modernos

Os séculos XIX e XX alargaram a coleção muito para além do mármore clássico. Gregório XVI fundou os Museus Etrusco e Egípcio Gregorianos na década de 1830, reunindo antiguidades que nada tinham a ver com Roma ou com o cristianismo — um impulso erudito e enciclopédico. As pinturas, durante muito tempo dispersas pelo palácio, ganharam finalmente um espaço próprio quando Pio XI inaugurou o atual edifício da Pinacoteca em 1932; as suas salas albergam a última obra de Rafael, a Transfiguração, um São Jerónimo inacabado de Leonardo e um Caravaggio, entre muito mais. Mais tarde, Paulo VI reuniu uma vasta coleção de arte religiosa moderna. Cada adição reflete as preocupações da sua época, e é por isso que percorrer os museus de ponta a ponta é também, silenciosamente, uma viagem pela mente em mutação da instituição que os construiu.

Ler o museu através dos seus criadores

Assim que encara os museus como uma sequência de projetos papais, a visita organiza-se sozinha. Os pátios clássicos são os papas do Renascimento e do Iluminismo a colecionar antiguidades; as Salas de Rafael e a Capela Sistina são os mesmos mecenas a encomendar os génios do seu tempo; as salas egípcia e etrusca são o século XIX erudito; a Pinacoteca e a coleção moderna são o museu a voltar-se para sistematizar e completar-se. Isto também lhe dá uma dica prática. As obras na rota principal lotada são imperdíveis, mas estão apinhadas; os museus criados como coleções laterais deliberadas — a Pinacoteca, as salas egípcias, as galerias etruscas — ficam fora da corrente e são muito mais calmos, e é lá que consegue realmente parar. Se valoriza espaço para respirar mais do que riscar nomes famosos da lista, passe o seu tempo tranquilo entre as coleções escondidas para o lado.

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